Priscila Crispi – Jornalista na EBC

Nenhum dinheiro no mundo paga suas horas de vida gastas em algo que não faz sentido.

Priscila Cripi - depoimento e dicas de concursosNome: Priscila Crispi
Profissão: Jornalista
Cargo Público: Jornalista de Comunicação Pública na Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

Não me considero uma “concurseira” porque só estudei pra um único concurso na vida – aquele que eu passei, tomei posse e estou até hoje. Isso porque minha escolha pela EBC não foi pelo “sonho da estabilidade” ou porque queria ser servidora independente do trabalho que desempenharia. Eu escolhi a EBC por causa da EBC, porque era uma empresa onde eu poderia atuar naquilo para o qual me formei e que abria um espaço de atuação diverso, com um plano de carreiras em vista. Ainda hoje, quase quatro anos depois de concursada, existem pouquíssimos outros lugares na administração pública que me despertam o interesse de trabalhar e, pra isso, voltar a estudar pra concurso. Na área de jornalismo/produção audiovisual e cultural, a empresa continua me oferecendo um dos melhores custo-benefício de carreira, inclusive em relação ao mercado privado – o salário é um dos mais baixos de toda esfera federal, mas minha balança sempre pesou mais para realização profissional do que pra retorno financeiro, e é por isso que ainda estou aqui.

Então, essa é minha primeira e maior dica para quem está estudando pra concurso: escolha uma carreira/órgão/empresa não só pelo nível de dificuldade do concurso ou pelo valor do salário, mas também pelo trabalho que você vai realizar ali. Primeiro porque ser servidor público significa, em essência, servir à sociedade e, pra realizar um trabalho com a responsabilidade e seriedade que esse cargo nos exige – com a consciência de espírito público – é preciso querer estar onde se está.

Segundo porque o serviço público, mesmo quando é em uma área que você gosta, envolve muitas burocracias, restrições orçamentárias, indicações políticas e mais uma série de coisas que deixa todo o dia a dia menos dinâmico. Mesmo que você seja o tipo de pessoa cuja balança pesa mais pro lado do retorno financeiro (sem julgamentos), estar totalmente deslocado da sua formação profissional ou área de interesse dentro desse contexto de muitas amarras pode te desmotivar rapidamente. Não conte com aquela história de que “lá dentro eu mudo de área” porque mobilidade pode ser mais difícil do que você pensa dentro de órgãos públicos, especialmente em momentos de arrocho e congelamento de cargos e salários – cenário que está se desenhando com a crise política e econômica do nosso país.

Aliás, esse último é um forte motivo pra você não depositar todas as suas fichas em altos salários, eles podem se perder com a inflação e até serem cortados (sim, a história está aí pra mostrar que isso pode acontecer). Duas frases de motivação pra você refletir aí sobre isso (kkk): ninguém que se dê por garantido nessa vida, porque toda ela é vaidade/ nenhum dinheiro no mundo paga suas horas de vida gastas em algo que não faz sentido.

Pra completar meu argumento: estudar pra algo que tem a ver com sua formação profissional é logicamente o caminho mais fácil pra você ser aprovado. Se existe algo na vida que você sabe, pelo menos mais ou menos, esse algo é o que você estudou durante toda sua graduação. Sei que os concursos específicos costumam ter muito menos vagas, mas seu estudo aqui nunca vai partir do zero (além do mais, concursos de nível médio ou que exigem formação em qualquer área têm mais vagas, mas muito mais concorrência e pode dar no mesmo). Não partir do zero faz toda diferença! É claro que eu não passei em um concurso estudando três meses pra ele, depois que saiu o edital. Estudei muito nesses três meses, mas só passei porque:

1. tinha experiência com prova daquela banca (Cespe) em função de muuuuuito estudo pro vestibular, anos antes – quando você aprende a estudar, você cria um método de estudo, você já sabe o caminho;

2. estava saindo de um período intenso de produção em função do fim da minha graduação e da escrita da minha monografia – tava no ritmo, estudar 6h por dia era ok pra mim;

3. tudo que eu estudei durante toda a graduação, incluindo um projeto de pesquisa que participei justamente na área de atuação da EBC, estava bem fresco na minha cabeça – é aquela coisa: uma boa base, fica, né?

Resumindo (o que seus professores sempre te disseram): entenda o seu lugar no mundo, descubra sua vocação, faça um bom ensino médio/graduação (sei que isso está fora do alcance de muita gente, mas se for seu caso: procure consertar as lacunas da sua formação e não focar em macetes e regrinhas), desenvolva disciplina e métodos de estudo que funcionem pra você, foque em um alvo. E que Deus nos ajude a sermos cidadãos que servem essa sociedade com nosso trabalho!

Confira também o depoimento de André Silva – Técnico Administrativo da ANATEL

Um comentário em “Priscila Crispi – Jornalista na EBC

  • 1 de abril de 2016 a 00:40
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    Ótima dica de estudo! Me identifiquei muito com a questão de buscar a realização profissional e não o dinheiro! Parabéns Priscila.

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